28 de fev de 2009

queda & restauração


Davi.

Lenda, líder, tipo, rei.

Músico, poeta, artista, arquiteto.

Homem segundo o coração de Deus!

Meu Deus, como?

Davi era um homem extraordinário. É considerado o segundo homem mais bonito da Bíblia (logo atrás de José), mas pelo conjunto de qualidades foi o mais atraente de todos. Afinal, era bonito de rosto e corpo. Era poeta e músico (e até dançarino). Era guerreiro e líder nato. Tinha um carisma ao qual só se podia resistir através da inveja. Era espiritual e realista. Era inteligente e esperto. Sabia ser humilde e sabia ser digno.

Davi era o pacote completo.

Não era a toa que ele exercia um fascínio imenso sobre o sexo oposto. E era exatamente nesta área em que ele teve as suas quedas. Inclusive a maior delas: Bate-Seba.

Davi provavelmente a conhecia desde sua infância. Ela era filha de Eliã, um dos seus valentes, a guarda pessoal e elite do exército dele. Cada um deles tinha condições de enfrentar um pequeno exército quase que sozinho (II Sm 23:8-39). Eles tinham as suas refeições com o rei. Havia ampla e contínua convivência.

Eliã aparece no verso 34 de II Sm 23. Lá também aparece o nome do seu pai, o avô de Bate-Seba: Aitofel.

Aitofel era o homem mais inteligente e sábio da época de Davi. Ele era o seu primeiro conselheiro (II Sm 15:12) e seus conselhos eram tidos como a própria Voz de Deus (II Sm 16:23).

Como se não bastasse o esposo de Bate-Seba também fazia parte do grupo de valentes. O nome dele era Urias e ele aparece em II Sm 23:39. Não acho difícil imaginar que Davi tenha sido o convidado de honra no casamento entre Urias e Bate-Seba.

Quando Davi recebe a informação de que a mulher que ele havia avistado nua do terraço de seu palácio “é Bate-Seba, filha de Eliã e mulher de Urias, o heteu” ele sabia exatamente de quem se tratava e quais as possíveis consequências de tentar seduzi-la. Mesmo assim mandou chamá-la (II Sm 11:2-4).

Quantas vezes isso já não aconteceu conosco. Sabemos que está errado e que só pode dar errado e mesmo assim damos vazão aos desejos.

Bate-Seba também não está livre de culpa. Ao ser chamada e perceber quais as intenções do rei ela poderia ter rejeitado a proposta. O fato de ele ser rei não o isentava de estar sujeito às leis de Deus. E, especialmente sendo quem ela era, Bate-Seba poderia ter se negado com facilidade a se deitar com ele. Mas ela também não resistiu à tentação.

As consequências foram desastrosas. Bate-Seba engravida e Davi fica preocupado com a sua própria pele. A lei era clara a respeito de adultério. Urias estava em batalha e as pessoas saberiam que a criança não poderia ter sido dele. Bate-Seba seria questionada e poderia contar toda a história e ambos seriam apedrejados. O erro tinha que ser encoberto.

Davi chama Urias de volta da batalha sob o falso pretexto de querer obter uma atualização a respeito do andamento da guerra. Sabendo que Urias estava há meses sem ter relações com a sua mulher ele ouve o relatório e o manda ir para a sua casa junto com um presente na esperança de que ele se deitaria com a sua esposa. Mas Urias não vai e Davi descobre que sobram caráter e solidariedade em Urias.

Davi tenta uma segunda vez e nesta ocasião ele o deixa embriagado. Mesmo não estando em poder de todas as suas faculdades mentais Urias mais uma vez se nega ir para a sua casa e se deitar com a sua mulher. Essas demonstrações do caráter de Urias tornam o que se segue mais maligno ainda.

Davi envia uma carta através de Urias condenando-o à morte em batalha. Joabe, o comandante do seu exército, resolve a situação, mas também se torna conhecedor do pecado de Davi o que o deixa em dívida com Joabe.

Urias morre, Davi se casa com Bate-Seba e tudo parece estar em ordem. Davi até consegue tirar vantagem da situação, pois o seu casamento com a viúva do seu soldado de elite se torna uma demonstração pública de compaixão e solidariedade para com a família do falecido e da viúva.

Quão fundo é possível cair? Quanto o ser humano consegue se enganar? Parece não haver fim para a hipocrisia e a maldade.

Mas Deus não nos deixa nesta situação. Ele vem atrás de nós. Ele faz questão de nos resgatar.

O primeiro e único passo é o arrependimento verdadeiro.

Não podemos confundir remorso com arrependimento. Remorso advém das circunstâncias do pecado, mas o arrependimento está ligado ao princípio, à falha em abrir mão da Mão de Deus. O próprio pecador em várias ocasiões não consegue distinguir entre um e outro, mas Deus não somente sabe, mas, acima de tudo, dá o arrependimento.

Remorso é humano, arrependimento é divino.

Davi recebe a visita de um velho amigo profeta que o surpreende com uma parábola engenhosa que tinha como objetivo confrontá-lo com a sua própria hipocrisia.

Quantas vezes somos hipócritas em condenar o próximo mesmo quando afundados no próprio pecado? Quantas vezes já enxergamos o cisco no olho do outro e esquecemos-nos da trave que está em nosso?

O método de Deus deu certo e levou Davi ao verdadeiro arrependimento. E sabemos que ele foi perdoado. Ele voltou a ser o homem segundo o coração de Deus. Glória a Deus por isso!

As suas ações e falhas, no entanto, não ficaram sem consequências.

O filho do relacionamento dele com Bate-Seba morreu.

Sua falha o tornou um pai complacente levando a várias tragédias familiares, dentre as quais a maior foi revolta do seu filho Absalão. Esta revolta, por sinal, recebeu apoio do primeiro conselheiro e avô de Bate-Seba, Aitofel, que a esta altura já havia entendido o que se passara por ocasião da morte de Urias e que buscava vingança. O apoio de Aitofel à revolta de Absalão levou Davi a desesperar e clamar por intervenção divina (II Sm 15:31).

Muitas vezes temos que enfrentar consequências das nossas falhas e do nosso pecado. Deus não necessariamente nos livra delas.

No entanto, o que mais me fascina é que Deus não deixa de sonhar e edificar a nossa vida. Ele havia prometido a Davi que a sua linhagem seria uma linhagem eterna. Essa promessa continuou a ser cumprida apesar dos erros do seu servo. E o mais curioso é que Deus escolheu exatamente o pior casamento de Davi, o que se iniciou de maneira mais vil (e olha que Davi teve vários casamentos desequilibrados) para cumprir esta promessa.

Do casamento de Davi e Bate-Seba veio Salomão, filho que Deus escolheu para levar adiante a linhagem real. Ele poderia ter escolhido qualquer outro casamento de Davi para cumprir a Sua promessa, mas Ele fez questão de escolher este. Ele não queria ratificar as falhas do passado, mas sim demonstrar o Seu poder em restaurar o que começou de forma tão podre, tão errada.

Deus fez questão de que a linhagem do Seu próprio Filho, Deus encarnado, Jesus Cristo, o nosso Salvador, viesse deste relacionamento!

Ó, quão maravilhoso é o Amor de Deus.

Deus não somente perdoa... Deus restaura!

E tudo isso se tornou possível porque houve arrependimento.

E o arrependimento tornou Davi o homem segundo o coração de Deus.

O mesmo arrependimento pode nos tornar segundo o coração dEle.

“Deus, me convença do meu pecado e me dê força para me entregar em Tuas mãos.”

Forte abraço

Shalom

devocional 01/03/2009 www.adveniat.com.br

14 de fev de 2009

sal & luz



Prometi a mim mesmo que este post seria mais curto. Espero conseguir cumprir este propósito.
Tenho parado um pouco para pensar a respeito de Mt 5:13-16
Jesus, no seu mais completo, eloquente e radical discurso, antes de demonstrar um vez por todas que ele veio cumprir (e até expandir, tornar abstrato) e não revogar a Lei, fala de dois assuntos: a) as alegrias daqueles que andam com Ele e nEle e b) a função que os que O seguem têm neste mundo. Apesar de não querer tratar disso agora quero deixar o seguinte comentário como food for thought: absolutamente nada nas palavras de Cristo é por acaso, muito menos esta sequência como foi reproduzida por Mateus, o evangelista do Reino; me parece que esta ordem deveria ser respeitada e vivida no evangelismo (ato de divulgar as Boas Novas; independe da forma) antes de tocar em assuntos importantes, mas não prioritários, como Lei e Pecado.
Minha reflexão é em cima da função, a função do Sal e da Luz.
Quando penso em sal várias funções vêm à minha mente. Ele serve para preservar alimentos, para limpar feridas e até para auxiliar na remoção de neve e gelo (e provavelmente muitas outras coisas mais que me são desconhecidas ou das quais não me recordo no momento). No entanto, geralmente a primeira associação com o sal é de salgar, dar sabor. É à esta qualidade que Jesus se refere no verso 13: "Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, laçado fora, ser pisado pelos homens."
Acho fantástica esta metáfora de Jesus. No dia-a-dia uma boa comida geralmente não é atribuída à presença do sal. O sal só se percebe quando há excesso ou falta de sua presença. Quando na medida certa e bem misturado ele passa desapercebido.
Aquele que segue a Cristo deve ter a função do sal. Dar sabor sem chamar atenção para si mesmo, sem buscar notoriedade pelo resultado agradável que está sendo saboreado. Só aos poucos aqueles que convivem com um cristão perceberão que é a presença dele que torna a conversa, a convivência e as atividades mais agradáveis, mais saborosas. 
Ser sal é viver a vida cristã sem palavras.
Ser sal, no entanto, é só metade daquilo que Jesus quer que os Seus seguidores sejam.
A característica principal da luz é que ela ilumina. Onde ela está não existe escuridão. A escuridão pode cercá-la, mas ela não se mistura. Luz revela o que está na escuridão. Luz não tem meio-termo, independente de ser um simples raio ou um feixe.
Há ocasiões onde o cristão é luz. Onde ele tem que tomar uma atitude que iluminará, que tornará as coisas claras. Não haverá meio-termo, não haverá discrição. Pessoas enxergarão o que estava escondido na escuridão e consequentemente uma das seguintes atitudes serão tomadas:
1) ao enxergar se sentirão humilhados e tentarão apagar a luz para que voltem ao conforto da escuridão
2) ao enxergar o que estava camuflado sentirão vergonha e buscarão auxílio, sendo encaminhados à Fonte de Luz
Luz e sal são diferentes. 
Sal age internamente. Luz age no exterior.
Sal é discreto. Luz não deixa espaço para dúvidas.
Não adianta ser luz sem ter sido sal antes.
Não é possível ser sal sem algum dia ter que ser luz também.
Não adianta falar sem viver.
Não é possível viver sem falar.
forte abraço
Shalom