26 de nov de 2010

forma & significado

Recebi como presente de dia do pastor e do meu aniversário (que são muito próximos) um livro de um dos membros da minha Igreja. Trata-se do livro 'Os Dez Mandamentos' da Dra. Laura Schlessinger e co-autoria do Rabi Stewart Vogel.

Está sendo um livro muito interessante, apesar de ainda estar no início do mesmo. Quero reproduzir aqui uma citação que considero importante e deixá-la no ar para reflexão:

"Preocupo-me com pessoas que se deixam absorver de tal maneira pela forma do ritual que deixam de viver aquilo que o ritual significa. O significado subjacente ao ritual é a aspiração à virtude, à imagem de Deus, não à perfeição, porque Ele conhece muito bem nossas imperfeições humanas, ou o mau uso ocasional, acidental ou não intencional do livre-arbítrio"

Assino em baixo

Shalom

André

15 de nov de 2010

luto

tristeza
porque um grande instrumentista morreu, dono de um toque refinado, simples e profundo

tristeza
porque um grande músico morreu, reservado e irriquieto, conhecedor de harmonias e caminhos diferentes, desbravador por natureza

tristeza
porque um grande homem morreu, íntegro, humilde, sincero, simples, amável e amado por quem o conhecia... o homem que só conseguiria ter inimigos naqueles cuja inveja superava a admiração que a sua inocência causava

tristeza
porque um grande amigo morreu, companheiro de aulas, arranjos, harmonias e muita, muita música... o homem à quem eu confiei a harmonizaçao da minha música de casamento sem receios ou neuras... um amigo pelo qual colocaria a mão no fogo... um irmão na fé, alvo de minhas orações há mais de 8 anos

meu Deus, MEU DEUS, volte logo!

dona nobis pacem especialmente à família enlutada


(tive o privilégio depois de vários anos poder encontrar o Wendel mês passado; fui visitá-lo no hospital com o meu irmão onde oramos com ele e por ele na presença dos seus pais; estou grato a Deus por ter tido este meu último momento com ele)

3 de nov de 2010

cansado

algo que li recentemente expressa (aproximadamente) a seguinte idéia:
"estamos cansados de nos preparar para estarmos preparados"
assino em baixo

14 de out de 2010

soberania

Nos últimos tempos tenho lido e estudado o livro e o personagem Jeremias. Confesso que é um livro duro de ler. Não falo isso necessariamente pelo conteúdo, muito menos pelo estilo, mas sim pelas circunstâncias e pela tarefa que Deus lhe deu.
Jeremias era um jovem idealista e nacionalista. Era filho de sacerdote e tinha uma vida planejada neste mesmo sentido. Como muitos ele amava o seu povo, acreditava que este povo havia sido escolhido por Deus de forma praticamente incondicional. Também amava sinceramente o Templo e tudo que ele representava (a moradia e presença de Deus na Terra). De repente, aparentemente do nada, Deus o chama para ser profeta. Haviam profetas naquela época, mas era uma profissão meio institucionalizada, sendo diplomáticos, usados para motivar o povo na direção da vontade do rei, etc., etc., etc. Jeremias estava prestes a perceber o quanto estes profetas não eram de Deus.
A parte mais difícil para Jeremias foi o conteúdo da mensagem que Deus queria que ele passasse. Ele deveria dizer ao rei, aos líderes e ao povo que Deus iria levá-los ao exílio incondicionalmente. No entanto, ao ler os primeiros capítulos do livro (que, por sinal, foram escritos durante o reino do rei Josias e sua tentativa de reforma, que infelizmente foi incompleta) fica claro que, na verdade, estas profecias eram incondicionalmente condicionais. Enxergamos Deus sempre apelando para que voltassem para Ele e que, assim, Ele teria misericórdia.
Todavia esta mensagem era uma mensagem extremamente impopular, não somente para os Judeus, mas para o próprio profeta. No começo ele era visto como um incômodo, algo desagradável, mas conforme o passar do tempo ele foi classificado como falso profeta até chegar ao ponto de ser condenado como traidor do seu povo e de todo o seu legado e herança como povo de Deus. Afinal, ele passou a proclamar que deveriam abrir as portas da cidade de Jerusalém para o exército do Norte, que posteriormente ele identificaria como sendo o exército dos Caldeus liderados por Nabucodonosor. Tente se colocar nesta situação, sendo um jovem nacionalista falando para o próprio povo que não deveriam resistir à tentativa de conquista de um povo pagão. Mesmo tentando é improvável que consigamos sentir o desespero, a solidão e o desalento deste jovem profeta.
Hoje eu li Jeremias 24 e gostaria de compartilhar o que aprendi com o mesmo. Ao ler o capítulo percebi que os caminhos de Deus são estranhos aos nosso olhos. O primeiro exílio já havia ocorrido e os melhores entre o povo haviam sido levados por Nabucodonosor para Babilônia. Era uma estratégia interessante, pois visava 'converter' os intelectuais, os artistas, os artesãos e os líderes do povo à cultura dos Caldeus. Para o povo Judeu, no entanto, era o momento de maior humilhação em toda a sua história, pois o cumprimento da maldição máxima (Dt 28), resultado da quebra da Aliança entre Deus o Seu povo, já havia se cumprido.
No entanto, neste capítulo Jeremias declara que estes que haviam sido exilados seriam abençoados e fortalecidos por Ele e encontrariam Salvação (v.4-7). Deus usaria este maior dos castigos para salvá-los. Ele usaria a maior das maldições para que se tornasse uma benção para aqueles que permitissem. Apesar das dificuldades do exílio podemos ver como esta profecia (mais uma vez condicional) se cumpriu em Ester, Daniel, Edras/Neemias e outros mais.
Este capítulo me fez perceber mais uma vez como Deus é soberano e cuida de tudo. Ele permite que soframos as consequências dos nossos erros, mas sempre abre espaço para que em meio a estas consequências recebamos bençãos imerecidas e sejamos uma benção para aqueles que nos cercam.
Hoje eu sai da minha meditação confortado porque fui relembrado de que Deus é soberano e se eu me submeter, mesmo após falhas, Ele transformará maldição em benção, sendo que a benção maior é a minha salvação.
Tenha um dia abençoado.
Shalom

19 de ago de 2010

enfim!

Enfim será lançado!
Depois de tantos anos de trabalho e sonhos será o lançado o mais novo álbum "Avinu Malkenu" por Leonardo Gonçalves. Acredito que ninguém terá noção de quanto trabalho este bichinho deu, quantas portas Deus teve que abrir e quantas bençãos e respostas de oração estão contidas no mesmo.
Amei a arte e o que ela representa. Agora é só aguardar o lançamento início de setembro.
Posteriormente quero escrever uma avaliação, mas por enquanto fica aqui o meu 'MUITO OBRIGADO, BOM DEUS' por este trabalho terminar desta forma. Que seja usado para honra e glória do Nome dEle.
Shalom
André

26 de mar de 2010

lar doce lar

Finalmente!!!
Estivemos de mudança até ontem e, aos poucos, a ordem e uma nova (velha) rotina será (re)estabelecida. Afinal foram quase três meses procurando um novo lar e confesso que o Senhor testou a minha paciência até o limite máximo (até a próxima vez em que Ele aumentará este limite). Todavia preciso louva-Lo neste momento por ter providenciado uma tão agradável residência para a minha família, residência que graças à Minha Linda já se tornou um lar... Definitivamente o Senhor nunca falha, apesar de haver situações em que fico com a impressão de que Ele tarda. Mas quem já não passou por isso? Bendita onisciência!
Neste clima cito dois versos fantásticos e não menos enigmáticos de Is 55:8-9: "Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor. Porque, assim como o céu é mais alto do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos."
Espero que com a maior proximidade do novo distrito pastoral (sou agora distrital do Guará) sobre um pouco mais de tempo para criar um ritmo de postagens mais regular.
Desejo a todos um excelente Sábado e bom final de semana.
um forte abraço
Shalom

ET: Neste domingo começará a nossa Semana Santa com a presença do Pr. Jobson Santos. Aqui o convite que o Departamento de Comunicação elaborou.

27 de jan de 2010

derrubando mitos II: Templo & Igreja

Como havia declarado no meu post anterior, pretendo discutir alguns assuntos que considero fundamentais para poder iniciar um debate saudável em torno da música e adoração na vida cristã.

Decidi começar abordando um tema que tem confundido muita gente. Esta confusão não é deliberada, pois a mesma foi pregada de púlpitos durante muitos e muitos anos e até hoje, vez ou outra, ainda pode-se ouvir por aí alguns relacionarem Templo e Igreja de forma explícita ou implícita.

Este erro advém de uma má compreensão do que é o Templo e Igreja e quais as suas respectivas funções. Esta incompreensão até tem afetado o planejamento arquitetônico de muitas Igrejas mais antigas, onde a nave da Igreja é tida como o pátio do Templo, uma plataforma mais alta é vista como o Santo (geralmente de onde era/é liderada a Lição) e o local mais elevado é denominado o 'Santíssimo', alegando que o púlpito seria o altar do mesmo onde é oferecido o sacrifício da Palavra de Deus, a Bíblia.

Não pretendo ser apologético e exaurir todos os erros que resultam desta visão, pois creio que cada leitor(a) será capaz de deduzir e imaginar quais as possíveis conseqüências desta visão.

A confusão é resultado do equívoco na compreensão da transferência do Ritual do Santuário do plano físico para o abstrato que ocorre no Novo Testamento. Paulo discorre com maestria a respeito deste assunto especialmente na epístola aos Romanos e Pedro em várias ocasiões faz referência a este tema.

De forma resumida esta transferência consiste na passagem do uso do Templo físico, onde ocorria a dramatização do plano de Salvação e Expiação através do Ritual do Santuário, para uma visão abstrata. Com a morte de Cristo na cruz o Santuário terrestre perdeu o seu significado. O véu do Santuário foi rasgado de cima para baixo (Mt 27:51) denotando o cumprimento daquele tipo de forma física.

O Novo Testamento declara que após a morte de Cristo o povo (invisível) de Deus passou a ser o Templo do Espírito Santo, tanto como coletividade (I Co 3:16) como individualmente (I Co 6:19). O sacerdócio passou a ser, de forma individual, de todos os santos (I Pe 2:5-9). O sacrifício diário ocorre dentro de nós ao sacrificarmos o nosso eu, dando espaço para Cristo pela fé (Gl 2:19-20). O Sumo Sacerdote, Aquele que faz expiação por todo o Templo, é Jesus Cristo (Hb 4:15). A linguagem utilizada recorre sempre ao uso da linguagem que se referia ao Ritual do Santuário no Antigo Testamento.

Ao entender que a transferência do Ritual do Santuário ocorreu do físico para o abstrato torna-se necessário analisar qual, de fato, a função da Igreja e como ela surgiu.

Uma simples pesquisa sobre a origem da Igreja Cristã revelará rapidamente que as suas raízes se encontram muito mais na instituição da Sinagoga do que em qualquer outro lugar, afinal, os primeiros conversos foram Judeus que aceitaram Jesus, o Caminho, como Messias.

A Sinagoga surgiu no período pós-exílico. Ela foi aos poucos desenvolvida para manter a identidade, espiritualidade e religião judaica viva, assim evitando a quebra da Aliança. A deportação ou exílio havia sido reconhecido como a conseqüência máxima desta quebra e medidas foram tomadas para que isto não acontecesse outra vez. Instituíram as Sinagogas como Centros Comunitários de Estudo e Adoração e ao longo do tempo um grupo de estudiosos se formou para dirigir as mesmas. Assim surgiram as reuniões sabatinas para estudar a Torah em edifícios em vez de praças públicas, etc., e, aos poucos, criou-se uma liturgia que se desenvolveu até os dias de hoje. O Templo, em si, só servia poucas vezes para reuniões de assembléia e mesmo assim, somente o pátio era usado.

Creio que fica evidente que as funções que hoje a Igreja cumpre se espelham nas reuniões da Sinagoga e não no Ritual do Santuário que ocorria no Templo. Uma vez compreendendo isto fica mais fácil evitar transferências errôneas da realidade do Templo para a realidade da Igreja. É claro que existem semelhanças, como também haverá semelhanças em outras áreas de vida cristã, pois todas são interligadas pelo mesmo propósito: adorar e servir a Deus. No entanto será necessário ter consciência profunda da função de cada ato para poder encontrar a forma mais adequada para cumprir a desejada função.

Desta forma creio que todo leitor será capaz de entender que nada que se refere ao Templo seja aplicável sine qua non para a Igreja e vice-versa. É necessário um estudo aprofundado para poder fazer afirmações acertadas e seguras, pois construções argumentativas frágeis e tendenciosas têm a tendência de soterrar a médio-longo prazo os arquitetos das mesmas.

Quero deixar claro que não considero as falhas do passado um problema em si, pois todos nós, como indivíduos e como instituição, estamos sujeitos a erros. Considero a falta de reconhecimento das falhas como sendo o maior problema, pois o erro arraigado e até institucionalizado tem a tendência de dificultar, em muito, mudanças profundamente necessárias para o nosso cotidiano cristão. O conceito de Verdade Presente deve ser uma realidade e não uma teoria acadêmica que não encontra respaldo nas práticas do dia-a-dia.

Que estas poucas palavras auxiliem na busca de uma compreensão mais sólida a respeito da adoração em nossos Cultos e assim sirvam de base para um culto consciente.

Um forte abraço

Shalom

17 de jan de 2010

a ignorância é atrevida

Nos últimos quatro a cinco anos tenho percebido (com certa preocupação) uma intensificação da discussão de música & adoração, música sacra e assuntos afins. Estes assuntos estão longe de ser novidade, mas recentemente parece haver um esforço diferenciado em torno deste assunto. Quero deixar claro que nos meus 11 anos de ministério não tenho me manifestado publicamente a respeito deste assunto a não ser quando solicitado de forma específica e explícita.

Apesar de possuir condições técnicas de discutir este tópico, pois sou formado em teologia, sou pastor ordenado e sou músico, tenho me refreado de discuti-lo pelas seguintes razões:

1) discutir com quem tem pouco conhecimento formal, seja teológico e/ou musical sempre é algo delicado, já que termos técnicos precisam ser explicados de forma profunda e exaustiva. No entanto, este esforço é feito sem que haja a certeza de que o outro lado irá compreender corretamente o que foi explicado, seja por falha da explicação ou do ouvinte. Este motivo sozinho não justifica a falta de participação, pois ele é comum à todas as áreas do saber e se todos adotassem esta atitude ninguém aprenderia nada novo.

2) este assunto mexe profundamente com gostos pessoais e toda vez que especialmente música e religião são o tema central existe uma certa mistificação do assunto, além de um certo deslumbramento e encanto, especialmente por parte daqueles que pouco conhecimento têm. Este deslumbramento unido aos gostos pessoais anuvia muitas vezes o bom juízo e a capacidade de discernimento, fazendo com que pessoas partem para eisegeses em vez de interpretar textos da forma mais isenta e correta possível. Desta forma discussões que poderiam ser saudáveis se tornam pivô de julgamentos apaixonados e muitas vezes não refletem nada do verdadeiro espírito cristão que deveria reinar quando se discute um assunto tão relevante e significativo. A falta de cordialidade e respeito tem marcado muitas destas discussões.

3) por fim, tenho visto que a maioria das pessoas não está aberta a mudanças, algo que é extremamente humano. No entanto, parece que quando o assunto é música e adoração esta teimosia é intensificada. Para mim sempre surge a pergunta: porque devo me expor a ser mau compreendido e até ser julgado pelo meu próximo se não há aparentemente uma ínfima possibilidade de surtir algum efeito? Tem todos os ares de um trabalho de Sísifo.

Todavia devo admitir que tenho visto tanta gente escrever recentemente sobre esta área, pessoas que aparentemente se enquadram em algumas características que descrevi acima, que com muita oração cheguei à conclusão de que devo participar sim deste debate.

Procurarei não ser apologético, quando possível. Procurei colocar fatos e não opiniões.

Um fato é que a maioria daqueles que escrevem a respeito deste tema são pessoas amadoras e, portanto, apaixonadas e não poucas vezes carecem de competência técnica nas duas áreas. Isso não significa que não devam participar, opinar, escrever ou falar.... de modo algum! Só quero classificar estas contribuições. Reparem na seguinte analogia:

Você está com sintomas sérios de alguma doença. O seu vizinho, seus familiares, seus colegas de trabalho, todos sem formação na área de saúde e igualmente muito bem intencionados lhe aconselham várias soluções caseiras para os seus males. Seus sintomas, no entanto, são tão severos que você procura um médico. Este médico lhe examina e chega à conclusão que o seu caso é um caso de um especialista e lhe encaminha para um profissional que terá conhecimentos específicos para lhe ajudar.

Agora, é possível que o remédio caseiro resolva o caso e até pode ser que o médico especialista não resolva, mas não seria razoável dizer que a opinião do especialista, apesar de não ser palavra final, deveria valer muito mais do que a opinião do seu vizinho que não tem formação nenhuma?

Tem muito vizinho opinando na música & adoração, pouco médico falando e, aparentemente nenhum especialista.

É necessário que os vizinhos se enxerguem, os médicos sejam humildes para repassar o caso e os especialistas tenham coragem de se manifestar.

Acredito que chegou a hora!

um forte abraço

Shalom